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quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Educação na Colônia, Jesuítas e Marquês de Pombal

Conceituando a Educação da Colonização até os dias atuais



A Reforma Pombalina foi uma resposta à Educação Jesuíta que ocorreu concomitantemente à Colonização. Para Marquês de Pombal, a educação Jesuíta era retrógrada e movida por interesses. É fato que os Jesuítas poderiam incomodar, visto que usavam da educação para evangelizar, incutindo na mentalidade dos catequisandos valores morais que assim a Igreja entendia. O advento do Iluminismo ignora claramente os ensinamentos da Igreja, pois para eles o pensamento já não é mais Teologal, mas sim Racional. Agora é o homem quem está no centro do Universo.

Segundo Paulo Freire, a Educação Jesuíta inaugurou o analfabetismo no Brasil. Discordo, é claro, visto que os Jesuítas, uma das Congregações mais intelectuais da Igreja, que deu à humanidade grandes nomes da Ciência, Filosofia e História, por mais que elucidassem o ensino pelo viés da fé, nunca conseguiriam impedir a liberdade de pensamento. Mesmo que a história nos diga que para eles os índios deveriam apenas obedecer e nunca pensar, o pensamento jamais é limitado. Poderia, sim, criar naquele que reflete sentimentos de culpa, porém nunca de impedimento. Tanto isto é verdade que houve, ao longo da história brasileira, grandes homens que romperam paradigmas. E mesmo que tenham rompido com os ensinamentos católicos, devem obrigatoriamente à Igreja, pois foi por meio dela que descobriram o saber e a arte de pensar. Foi por ela que adquiriram conhecimento, e com isto, a verdadeira liberdade.

Fato é que Marquês não queria a Igreja por perto, pois os Jesuítas, além de detentores do Conhecimento, da Ciência, das Artes e da Cultura (além de conhecimentos agrários, pois os livros de História evidenciam que os padres ensinaram os índios a plantar, arar a terra e colher), os Jesuítas recebiam impostos que eram arrecadados na Colônia. Pombal queria dinheiro para reformar a Nação Portuguesa. Como o pensamento Iluminista ganhava forças, era necessário romper com o pensamento religioso para agir apenas pelo pensamento livre. Juntou, então, o advento do Iluminismo com a ganância por dinheiro, logo se deu a expulsão dos Jesuítas. A educação brasileira sofreu demasiadamente, pois não tinha estrutura física e humana para tanto. Apesar de ter criado os “Alvarás”, a Reforma Pombalina não obtinha grande êxito. O curso de Humanidades, possibilitado pelos Jesuítas, foi substituído pelas “Aulas Régias” que eram mantidas por impostos coloniais. Contudo, os aspectos burocráticos não facilitaram a implantação das aulas.

É notório que Marquês de Pombal, por não querer os ensinamentos católicos por perto, não pensou no futuro da educação brasileira. Ela era real em suas idéias, mas inviáveis no cotidiano. Fato é que com a expulsão dos Jesuítas, o ensino que era oferecido gratuitamente, passa a ser cobrado. Enquanto a Igreja evangelizava índios e negros, Pombal elitiza a educação. Já não existe mais educação para todos (como hoje, aliás, defende Freire), mas apenas para os latifundiários. Os professores, por terem péssima remuneração, acabam desenvolvendo outras atividades na Colônia, não tendo, assim, tempo para dedicar-se aos estudos e ao conhecimento.

Deste modo, os habitantes do Brasil – colônia passam a ser educados pela Ordem Franciscana, também pelos Beneditinos, pelas Irmãs Carmelitas e alguns leigos de outras profissões. Havia precariedade na educação, mas não porque davam continuidade ao modo Jesuíta, e sim, porque Pombal, ao expulsá-los, não deu condições físicas e humanas para a evolução do pensamento.

Deste processo reformador, surgem os cursos literários e teológicos em Olinda e no Rio de Janeiro pelo Bispo Azevedo Coutinho. Seguiam uma estrutura lógica, com planejamentos prévios das aulas pelos Professores, além dos estudantes reunidos em sala para os estudos. Isso só mudou com a chegada da Corte Real, que deu ao país um novo contexto político-econômico, além de preparar os cidadãos para assumir cargos de interesse da mesma.

É preciso enfatizar que o processo educacional brasileiro pauta-se demasiadamente no papel do oprimido, vitimizando o povo com a intenção de salvá-los de um passado negro. Verdade é que os mecanismos adotados naquela época ainda trazem resquícios no cotidiano. Ainda há em alguns lugares deste país escravidão e analfabetismo. Só que o Brasil ainda não aprendeu a caminhar rumo ao crescimento intelectual. A educação continua em caminhada ao precipício da mediocridade. Criar cotas para negros e índios, por exemplo, é dar vazão à idéia de que ainda são escravos do tempo da Descoberta, e que para tanto, não conseguem por conta própria alcançar seus objetivos, realizarem-se profissionalmente. E esta Ideologia Marxista/Socialista em que enfatiza a necessidade de igualitar o homem, esquecendo de suas peculiaridades, auxilia no retrocesso educacional. O país, assim, não avança à liberdade intelectual. Prova disto é a necessidade de “vender” diplomas. Com o advento dos cursos à distância, (criação esta do Governo atual, que está muito mais interessado em números que qualidade) além das leis que proíbem a reprovação dos alunos, tornando o ambiente escolar ainda mais deplorável, sem disciplina, faz com que os brasileiros continuem à margem do verdadeiro saber.

O acesso à educação, em alguns lugares do Brasil, ainda são inviáveis. E a formação de um Magistério que tenha acesso a bons livros, boas universidades e que assim possam auxiliar seus alunos no processo de transformação, construindo homens livres a partir do conhecimento, é quase impossível. Há, por exemplo, professores de “boa-vontade”, que dão aulas nos becos desta Terra de Santa Cruz sem ao menos terem terminado o Ensino Fundamental. E este processo continuará ainda por muitos e muitos anos, pois o Governo deste país não trabalha em prol da massa. É também herança da Reforma Pombalina priorizar a elite e esquecer o necessitado. E não adiantará, creio eu, escrevermos livros supervalorizando o oprimido, pois quem deveria ler, não o faz, e quem lê, ignora. Aliás, creio que já passou da hora do País abandonar esta visão vitimista de si mesmo. Se temos acesso a tantas linhas de conhecimento (Arte, Música, Pecuária, Letras, Ciências), devemos grandemente aos Jesuítas. Então que façamos bom uso do que eles nos deixaram e ajamos em prol do crescimento intelectual, sem vítimas nem vitimadores.

Um comentário:

Captare disse...

Prezada Evelyn, Laudetur Dominus!

Ótimo texto! Precisamos de cada vez mais artigos assim na internet, que sejam baseados em estudos sérios e que valorizem a aperfeiçoamento intelectual.

Interessante a questão colocada no texto. Concordo que a sanha iluminista foi o que, a princípio, causou o declínio da qualidade da educação no Brasil. Além do quê, foi o advento das ciências humanas que vieram com o iluminismo, e que pretendiam substituir a metafísica, que causou a fragmentação do conhecimento humano, outro fator que acelera o declínio da qualidade.

Penso que uma boa sugestão, além das encontradas no seu texto, seja o investimento em recursos que ajudem os autodidatas, pois o que de mais valoroso surgiu na nossa cultura veio de autodidatas como Machado de Assis e Mário Ferreira dos Santos.

Pax et Salutis